Foto: João Urban

Segundo Rubens Fernandes Junior, no prefácio de Engenhos e Barbaquás:

Miranda parece possuir uma vocação para apontar sua câmera na direção de um universo em extinção e, sabendo disso, usa a lucidez não para documentar a destruição do processo, mas para registrar com força testemunhal a estética do trabalho artesanal e a beleza do meio ambiente. (…) Com essa perspectiva é que podemos avaliar a fotografia documental de Nego Miranda, na qual a inspiração e interpretação sugerem um profundo envolvimento com o tema, e sua motivação consciente elabora um ensaio que sintetiza uma fantástica visão do homem e seu trabalho. Miranda devolve à fotografia a possibilidade de viajar no tempo e no espaço, ao mostrar um mundo captado através de um olhar crítico, paciente e, simultaneamente, revelador. No silêncio da imagem, a lembrança; no reconhecimento, o inevitável percurso das transformações.

biografia

Neto de ervateiro, Nego Miranda não herdou do avô o gosto por tomar chimarrão, mas as paisagens paranaenses, que têm sua história muito ligada ao cultivo da erva-mate, estão presentes em quase todos os seus projetos autorais. Nascido em Curitiba, na infância também morou em Londrina e Paranaguá. No início da carreira, após concluir o Curso Técnico de Eletrônica no Centro Federal de Educação Técnica do Paraná (hoje Universidade Tecnológica Federal do Paraná), estudou Filosofia na UFPR, mas seguiu trabalhando como técnico em eletrônica. A trabalho, viajou para o Rio de Janeiro, onde frequentou um curso de cinema no Museu de Arte Moderna, em 1969. Lá, trabalhou na Abracan Filmes e foi assistente de Pedro Paulo Lazzarini até 1975.

No final dos anos 70 retornou a Curitiba já com essa paixão pela fotografia e, de forma autodidata, começa a trabalhar no campo da publicidade com Geraldo Magela, Paulo Leminski, Solda, entre outros. Nos anos 80 integra junto com Márcio Santos, Dico Kremer e João Urban a ZAP, estúdio de fotografia publicitária. Mais tarde fundou a Fototécnica com João Urban. Até o início dos anos 2000 Miranda e Urban seguiram com a fotografia publicitária, acompanhando as inúmeras mudanças que a fotografia viveu nesta virada do século.

Paralelamente à publicidade, Nego Miranda desenvolveu trabalhos de expressão pessoal: ensaios sobre o nu, trabalhadores, o cultivo da erva-mate, a arquitetura tradicional de madeira do Paraná, o tabaco em Cuba, os Campos Gerais, os armarinhos curitibanos, paisagens diversas por onde passou, e a “Curitiba de Dalton Trevisan”. Assim como o litoral paranaense, em especial Morretes, onde reside desde 2009. Muitos desses ensaios viraram livros, a maior parte com uma grande amiga, a jornalista e ambientalista Teresa Urban.

Foi premiado no Prêmio Fundação Conrado Wessel/São Paulo em 2011; no Prêmio Porto Seguro/São Paulo, em 2010; no 2º Salão Internacional de Fotografia em Havana, 1994; no 2º Concurso Ilford/Micro de Fotografia P&B; na Bienal de Fotografia Ecológica de Porto Alegre em 1982, entre outros.

Além de livros autorais, atuou também na área editorial com a reprodução de obras de arte, fotografia documental e breves ensaios nas revistas Gráfica, Eros, Et Cetera e Helena. Ministrou minicursos de fotografia documental nas escolas Portfólio e Centro Europeu, ambas em Curitiba. Em 2018, foi homenageado na Câmara Municipal de Curitiba pelos seus 40 anos de atuação profissional, nas áreas da fotografia publicitária, fotojornalismo e fotografia autoral.

Atualmente o ritmo de suas lentes diminuiu, mas um último projeto de livro – os quais ele chamava sonhos – está no prelo, com lançamento previsto para este ano de 2018. Intitulado Caminhos dos Campos de Curitiba aos Campos Gerais, esse derradeiro sonho reúne fotos atuais e de arquivo sobre os Campos Gerais, suas gentes, história e paisagens. É em parceria com a pesquisadora Rosemeri Marenzi e o jornalista José Carlos Correa Leite.

livros

Caminhos dos Campos de Curitiba aos Campos Gerais (prelo)
Puxando o Fio: histórias de armarinhos – Curitiba: Ed. do Autor, 2013. [com Teresa Urban]
A eterna solidão do vampiro – Curitiba: Ed. do Autor, 2010.
Morretes: meu Pé de Serra – Curitiba: Ed. do Autor, 2007. [com Teresa Urban]
Igrejas de Madeira Do Paraná – Curitiba: Ed. do Autor, 2005. [com Maria Cristina Wolff de  Carvalho]
Paraná de Madeira – Curitiba: Ed. do Autor, 2005. [com Maria Cristina Wolff de Carvalho]
Engenhos e Barbaquás – Curitiba: Edição do Autor, 1998. [com Teresa Urban]

exposições individuais

  • O povo da ilha – Fortaleza Nossa Senhora dos Prazeres/Iphan – Ilha do Mel – Paranaguá, 2016.
  • A eterna solidão do vampiro – Casa Andrade Muricy – Curitiba, 2010.
  • Igrejas de Madeira do Paraná – Espaço Cultural Caixa – Curitiba – 2010.
  • Igrejas de Madeira do Paraná – Espaço Cultural Caixa – São Paulo – 2010.
  • Igrejas de Madeira do Paraná – Espaço Cultural Caixa – Brasília – 2010.
  • Igrejas de Madeira do Paraná – Espaço Cultural Zumbi dos Palmares/Fotogaleria Presidência da Câmara dos Deputados – Brasília, 2008.
  • Morretes: meu pé de serra – Espaço Cultural BRDE – Curitiba, 2007.
  • Caminhos de Andersen na lente de Nego Miranda – Museu Alfredo Andersen Curitiba, 2006/2007.
  • Igrejas de Madeira do Paraná – Casa Andrade Muricy – Curitiba, 2006.
  • Paraná de Madeira – Museu Oscar Niemeyer – Curitiba, 2005.
  • Horizontes e Cercanias – Córdoba/Argentina, 2004.
  • Horizontes e Cercanias – Univali – Itajaí/SC, 2003.
  • Luz e Aço – Espaço Cultural Beto Batata – Curitiba, 2000.
  • Yerba Mate – 2º Mês De Fotografia Latino Americana – La Plata/Argentina, 1998.
  • Engenhos e Barbaquás – Woodside – Curitiba, 1996.
  • Folhas Amargas – 1º Bienal de Fotografia de Curitiba – Woodside – Curitiba, 1996.
  • Nuvimento – III Salón Internacional De Fotografia – Galeria Khalo – Havana/Cuba, 1995.
  • Os Homens Verdes – Fundação Cultural de Curitiba – Curitiba, 1994.
  • Nuvimento – Funarte Curitiba – Curitiba, 1994.

exposições coletivas

  • Fotografia em Transe – Coleção do Acervo do Museu da Fotografia Cidade de Curitiba, 2018
  • XIII Exposição da Coleção Pirelli/Masp de Fotografia – Masp – São Paulo, 2004.
  • IV Salão Nacional de Arte Fotográfica – Salvador, 1995.
  • II Salón Internacional de Fotografia – Havana,1994.
  • Fotógrafos de Curitiba – IV Semana de Cultura do Museu Guido Viaro – Curitiba, 1994.
  • Identidade – II Mês Internacional de Fotografia – São Paulo, 1994.
  • Coleção Joaquim Paiva – Fotografia Contemporânea Brasileira – São Paulo, 1993.
  • II Semana de Fotografia de Curitiba – Curitiba, 1993.
  • Clin Dóiel Sur La Photographie – Mussée Français De La Photographie – Paris – França,1993
  • Anuário Abrafoto – Casa De Fotografia Fuji – São Paulo, 1992.
  • Cinco Fotógrafos e Tiragem Limitada – Casa da Imagem – Curitiba, 1992.
  • VI Bienal De Artes Cerveira – Portugal, 1988.
  • O Trabalho – Funarte Projeto Itinerante – Rio de Janeiro, Recife, João Pessoa, Campina Grande, São Luiz e Teresina, 1982.
  • O Homem Brasileiro – São Paulo, 1979.

outras publicações

Rumo ao Norte do Paraná: fronteiras, fluxos e contatos. Maria Cristina Wolff de Carvalho (coord.). São Paulo: M. Carrilho Arquitetos, 2014.

Rumo a Navegantes. Maria Cristina Wolff de Carvalho (coord.). São Paulo: M. Carrilho Arquitetos, 2014.

Caminhos do Rio a Juiz de Fora. Maria Cristina Wolff de Carvalho (coord.). São Paulo: Marcos Carrilho Arquitetos, 2010.

A História do Mate. Teresa Urban. Rio de Janeiro: Ed. Salamandra, 1998.

Contemporary Brazilian Photography. Maria Luiza Melo Carvalho. Grã Bretanha: 1994. 

coleções / acervos

– Museu da Fotografia Cidade de Curitiba.
– Coleção Pirelli/Masp – MASP.
– Museu da Fotografia – Paris.
– Coleção Joaquim Paiva.
– Fundo Cubano de la Imagem Fotográfica – Havana.
– Instituto Cultural Itaú – ICI.
– Fundação Cultural de Curitiba.

prêmios recebidos

– Prêmio Porto Seguro de Fotografia, 2010.

– II Concurso Ilford/Micro de Fotografia P&B – São Paulo, 1997.

– Menção Especial II Salón Internacional de Fotografia – Havana/Cuba, 1994.

– Concurso Turismo no Paraná – Paranatur 1º Prêmio Curitiba, 1986.

– Concurso Bienal de Fotografia Ecológica – 1º Premio – Porto Alegre, 1982.

– Museu do Mate – Secretária de Cultura e do Estado do Paraná – I e III Prêmios, 1980.

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